Episódio #1: O valor do ato de criar.
Volta às aulas, personagens originais e ansiedades gerais.
Daimon, meu OC, acenando. : )
Bem-vindos ao primeiro episódio oficial de “Diário de uma Artista de 20 e Poucos Anos”! Tô muito animada pra começar esse projeto, de verdade. : )
A newsletter vai funcionar como um jornalzinho, com “colunas” sobre minhas experiências, uma pros meus OCs (personagens originais, não podia faltar, hihi), e por aí vai! Se você tem uma sugestão, comenta aqui embaixo!
Enfim, vamo começar!
O poder da autocrítica.
Eu tenho lido e analisado a newsletter de outras pessoinhas legais que eu encontrei por aí, para saber o que eu poderia adicionar na minha própria. Não vou mentir que estou preocupada, como sempre acontece quando eu começo uma coisa nova – dúvidas se vão gostar do meu trabalho, se vão ler tudo, se tá interessante o suficiente. – Esse tipo de dúvida me assombra e, geralmente, passa depois de um tempo produzindo. Então eu vou confiar no processo e acreditar que uma hora eu vou ficar boa nisso!
Eu acho que as pessoas (vulgo eu) julgam demais seus próprios trabalhos. Temos medo de sermos julgados e acabamos nos tornando nosso crítico mais cruel, e às vezes isso leva a uma paralisação ao invés de os motivar a melhorar, já perdi as contas de quantas vezes eu perdi a vontade de fazer algo porque fui tão cruel no meu julgamento sobre mim que fiquei com medo de começar e alguém provar que essa vozinha ruim na minha cabeça estava certa. O medo é uma coisa muito doida, pode te impedir de fazer coisas incríveis.
Mas nós não podemos deixar o medo e a autocrítica nos pararem. Criem! Mesmo que fique ruim, mesmo que ninguém veja, mesmo que a vozinha cruel na sua cabeça esteja certa, criem. No fim das contas, criar é o que nos mantém vivos, é como nos expressamos, colocamos sentimentos para fora, seja para expulsar sentimentos ruins ou compartilhar sentimentos bons. Nós, seres humanos, somos criaturas criativas, precisamos criar! Mesmo que você se importe muito com a qualidade do seu trabalho, fazer coisas “ruins” ou de “baixa qualidade” ainda é necessário! Você precisa ser ruim para se tornar bom! Não é bom deixarmos o medo nos paralisar para sempre, é preciso se libertar das amarras da autocrítica excessiva!
Então mesmo que eu fique com um pouco de vergonha de começar, eu vou!
Início das aulas na UFRN, foi bem de boa.
Como todo mundo que me conhece sabe porque eu não paro de me gabar disso: Eu estudo Artes Visuais – Licenciatura na UFRN. As aulas começaram na última Segunda-Feira (17) e eu não poderia estar mais animada! Até porque eu finalmente vou começar a pagar disciplinas optativas. Escolhi Cinema, Pintura e Escrita Criativa, chocando um total de zero pessoas.
A primeira semana foi tranquila, consegui conhecer alguns professores novos e já tenho trabalhos pra fazer (você me paga, Estética Filosófica!!!) então estou bem feliz. Fiquei ainda mais feliz de reencontrar meus colegas, não consegui sair com ninguém durante as férias então a gente não se via desde o ano passado. Foi bom ver todo mundo de novo!
Eu vou começar minha fase de Estágio Obrigatório, que dura 3 semestres, e tô meio nervosa, meio empolgada. Eu já tinha feito estágio remunerado antes e, infelizmente, não posso aproveitar as horas porque o programa tem objetivos diferentes do remunerado. Mas tudo bem, estou animada para as novas experiências.
OCs – A importância de um personagem original.
Desde que eu me entendo por gente, gosto de criar personagens. Os OCs (Original Characters/Personagens Originais) sempre foram parte da minha vida, e não acho que isso vai mudar daqui pra frente, simplesmente faz parte de quem eu sou: Yas usa óculos, tem 1,61 de altura… E gosta de criar OCs. Então, como primeiro assunto da minha “coluna” de OCs do Diário, trago uma reflexão sobre a importância desses personagens para mim, alguém que esteja lendo pode se identificar, ficaria muito feliz em saber que tem mais pessoas que se sentem como eu em relação a isso. Escrever e criar histórias sempre foi uma das minhas formas favoritas de me expressar, é como eu evidencio minha visão de mundo e como imagino e reflito sobre minhas experiências e realidades alheias. Ter esses carinhas engraçados na minha cabeça é uma coisa que me ajuda de diversas formas, principalmente como auto-expressão e como forma de processar o que sinto e o que penso.
Já ouvi por aí na internet que ter OCs era “cringe” e algo para se envergonhar, mas se você parar pra pensar, todo personagem fictício é um OC. Homem-Aranha era OC do Stan Lee, a Mulher Maravilha era OC do William Moulton Marston (sim, eu pesquisei), as gems de Steven Universo são OCs da Rebecca Sugar, e por aí vai! OC é só mais um termo para se referir a criaturinhas que criamos, desenhamos, escrevemos.
A primeira personagem original que eu criei, nem lembro mais o nome, mas era provavelmente OC de algum anime que eu gostava na época – aos 9 anos! – e era minha forma de expressar o quanto eu gostava da série: me inserindo nela, de alguma forma. Aí veio minha primeira historinha original, dessas que duram um tempinho, lembro que foi sobre uma garota mágica que morava num tipo de abrigo com os amigos, e eles iam em aventuras cheias de magia, romance e drama! Era uma reflexão da mídia que eu consumia com essa idade: animes shoujo e shonen com muita magia.
Desde então, eu não parei! Já tive OCs de todos os tipos, formas, tamanhos, com histórias levinhas e fofas, e também os que eram pesados demais para a minha idade. É quase difícil de acreditar que nós, artistas, escritores, temos o poder de criar pessoinhas com o poder da mente, gente que tem sonhos, objetivos, personalidade, e nós mesmos decidimos seus destinos e reações às adversidades, que também criamos, hehe. E é gratificante de verdade quando alguém nota seu OC! Juro, hoje em dia é mais difícil, por causa da senhora autocrítica que mencionei mais no comecinho do episódio, mas quando as pessoas gostavam dos meus OCs e desenhavam eles, eu ficava eufórica! Só pensava nisso, voltava na página do desenho, comentário, do que fosse, e ficava olhando várias vezes. Agora, quando alguém mais próximo meu olha algo e lembra de um OC meu, eu sinto como se essa pessoa estivesse lembrando de mim, também.
Vamos ser sinceros, OCs são, de alguma forma, uma extensão do seu criador. Seja na personalidade, forma de pensar, ou apenas como a manifestação de opiniões e pensamentos que o autor não necessariamente concorda, mas vê certa importância em expressar de alguma forma. Eu mesma hoje em dia gosto de colocar várias ideias nos meus personagens, mesmo que não concorde ou ache certo certas atitudes, eu acho interessante explorar diferentes personalidades nos meus personagens, eles precisam de falhas! Eu acho muito mais interessante um personagem com falhas do que um perfeitinho, e talvez a maioria das pessoas concorde.
Sendo assim, quando alguém nota um personagem meu ou se lembra dele quando vê alguma coisa – exemplo: alguém próximo me mostra alguma coisa e diz “olha lá o Daimon!”, fico toda boba. – eu sinto que sim, estão se lembrando de mim de alguma forma. É algo que eu fiz, desenvolvi, derramei uma parte de mim e dediquei meu tempo àquela história, ver alguém se lembrar dela significa que a minha mente não é o único lugar que eles habitam, e isso é lindo, para mim.
Então fica aqui minha cartinha de amor à todos os personagens originais, especialmente àqueles que os criam. Nunca parem, nunca mudem, sua criatividade move o mundo.
Recomendações da Semana.
Esse todo mundo já conhece, mas eu li de uma vez só e amei, então vou recomendar: 48km da iaraNaika é um mangá/webcomic sobre duas garotas que se conhecem no ônibus e se apaixonam. A história é um Slice-Of-Life fofo, engraçado e envolvente, com direito à um “episódio” de festival- digo- de festa junina! Recomendo muito, amo ler histórias sáficas bonitinhas, me enchem de amores! <3
Falando em histórias sáficas, Manifesto de uma Lésbica de 20 anos, do Júpiter Uchoa, também é outro projeto que eu li de uma vez só e me apaixonei! Amo essas obras biográficas, onde o autor conta da sua experiência. Gosto de ler e poder entender um pouco sobre realidades diferentes da minha! No caso do Júpiter, sua obra conta sobre suas descobertas como lésbica e como pessoa não-binária, e os altos e baixos dessa jornada descobrindo seu gênero e sexualidade. Mais legal ainda, Manifesto de uma Lésbica de 20 anos está em campanha no catar.se e, quando fui atrás do link, vi que já tinha batido a meta! Yupiii!
Leia Manifesto de uma Lésbica de 20 anos aqui!
Por hoje é só!
Obrigada por ter lido até aqui! Espero que tenha gostado desse episódio, vou continuar escrevendo para postar toda Segunda-Feira, e com sorte eu vou deixando esse negócio cada vez mais interessante, hihi.
Até a semana que vem e lembre-se: Continue criando, mesmo que tenha uma vozinha chata na sua cabeça dizendo que não vale à pena! Vale sim, e muito!
Com amor,
- Yas




Que fofura essa newsletteeer!! Amei!