O Vaso Quebrado
Crônicas de dever de casa #3
Oi de novo, pessoal! Uau, um post na Quarta-feira, que estranho! haha
Continuo sumida até segunda ordem, mas trago aqui mais uma crônica de Redação Criativa pra vocês, esse não tem OCs pré-criados, mas eu achei ela bem divertida, então resolvi colocar aqui.
Espero que gostem!
CRACK!
O som do vaso se quebrando acaba com todo o barulho do salão. As duas famílias direcionam sua atenção para a mesa de centro que estava no meio do local da festa, onde o vaso estava rodeado de arranjos de flores mais caros que muitos dos artigos de luxo ostentados pelos convidados que ali estavam. Seus cacos se espalharam pelo chão, e era possível ouvir eles atingindo os móveis ao redor – ninguém ousava dizer uma palavra, respirar, até mesmo batimentos cardíacos pareciam cessar por um segundo após aquele barulho ensurdecedor.
Uma mãe corre até seu filho, uma criança pequena, e o arrasta para longe da mesa de centro, pronta para dar uma grande bronca no menino. Esse vaso era um presente da família do noivo para a noiva, o símbolo da união das duas famílias mais influentes na cidade, e agora, estava completamente destruído. O reparo era impossível, havia se desmanchado em milhares de pedacinhos, assim como a expectativa dos membros envolvidos. Os noivos viram a cena e longe e, por um momento, uma onda de alívio percorreu seus corpos. Um desastre como essa certamente faria as famílias desistirem do casamento arranjado, e eles poderiam largar tudo em meio ao caos para ficar com seus verdadeiros amores. Mas não havia tempo para pensar nisso, tudo que eles podiam fazer era esperar uma reação, uma fala, um gesto, qualquer coisa.
A matriarca da família do noivo se aproxima dos cacos, um vaso caríssimo, passado de geração em geração, resistindo à guerras, situações extremas, um vaso que, mesmo em meio à pobreza, foi mantido na família como um símbolo de esperança. E, agora, foi quebrado por alguém da família que estava quase se tornando uma ex-rival em meio ao caos e ao drama dos super ricos da cidade. Bem, a esperança de uma união entre os burgueses agora estava tão estilhaçada quanto o falecido vaso chique. A mulher se vira para o patriarca da outra família, grita, aponta o dedo, e o caos se inicia.
Em meio a confusão, os noivos saem de fininho, se encontrando a sós pela primeira vez desde que foi confirmado o casamento. Eles andam, conversam, riem, são bons amigos – jamais amantes. No calor do momento, confessam um ao outro o que vão fazer agora que a obrigação do casamento muito provavelmente foi retirada, como um fardo do qual eles finalmente estão livres.
Enquanto as famílias discutem entre si, a mãe do menino levado arrasta ele para fora do salão e da um abraço apertado no filho. O plano dela foi como planejado, tudo que ela precisou fazer é deixar seu anjinho agente do caos solto para que a confusão começasse, nesse momento, ela agradece aos Céus por ter dado para ela um filho que desse tanto trabalho. O menino não entende nada, mas se sente feliz por finalmente ter a aprovação da mãe.
Certamente, esse evento vai impactar as dinâmicas sociais entre os aristocratas dessa pequena e insignificante cidadezinha. Mas, para as pessoas que ali moram, não faz nenhuma diferença. Afinal, pra que serve um monte de riquinhos fazendo drama por um vaso velho?
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